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1861–1898

Judia

João da Cruz e Sousa

Ah! Judia! Judia impenitente! De erma e de turva região sombria De areia fulva, bárbara, inclemente, Numa desolação, chegaste um dia...

Través o céu mais tórrido, mais quente, Onde a luz mais flamívoma radia, A voz dos teus, nostálgica, plangente, Vibrou, chorou, clamou por ti, Judia!

Ave de melancólicos mistérios, Ruflaste as asas por Azuis sidérios, Ébria dos vícios célebres que salvam... Para alguns corações que ainda te buscam

És como os sóis que rútilos coruscam E a torva terra do deserto escalvam!

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