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1861–1898

Joia

João da Cruz e Sousa

Humilde como Ester, eu não conheço Ninguém, nem conheci pessoa alguma Que fosse joia tal e de tal preço, Mais casta e muito mais do que uma espuma.

Nem quero que haja igual — pois eu nem desço A mais definições — porque isto, em suma, A gente deve até, num manto espesso De emoções encobrir, num véu de bruma.

E faz-me recordar um tipo exato De estranha irradiação — sim, que eu, de fato Lhe disse, de uma vez, que pareciam Seus olhos musicais e nazarenos,

Duas brilhantes gotas dos serenos Que desse azul dos páramos caíam.

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