Jesus que amava as mães e as criancinhas,
E que nasceu tão cândido e risonho,
Tendo no olhar a placidez de um sonho
Mais leve do que um sonho de andorinhas;
Esse Jesus que o orgulho das rainhas
Abate e quebra com um ar tristonho
Na cruz — ante esse séquito medonho
De sombras que entristece as criaturinhas;
Quando com seus apóstolos ceava,
Jesus, que os bons e os fracos adorava,
Quando bebia gota a gota o vinho;
Não sabia, por certo, o Jesus casto
Que neste mundo enganador e vasto
Só há bem poucas gotas de carinho.