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1861–1898

IV

João da Cruz e Sousa

Adeus, esposa estremosa, Vou-me, não sei para quando Voltar — minh’alma saudosa Por meus filhos vai chorando.

Ficam-te eles no entretanto Pra tirarem-te os pesares, Para enxugarem-te o pranto Que há de ser maior que os mares.

Maior que os mares, não minto, Não exagero tão pouco, Porque ai, só tu e só eu sinto O nosso amor como é louco.

Vou-me às viagens, aos dias Passados entre horizontes E mares e ventanias Sem arvoredos, sem montes.

Os dias de céus eternos E de mar ilimitado, Com tempo de atroz infernos Com tempo de sol doirado.

Adeus! Cá dentro do peito Há dois corações unidos; Sobre um o mar tem direito, Sobre outro — os filhos queridos.

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