Morrem as virgens, nos seus leitos castos,
Entre a mole e finíssima cambraia...
E a lua fria nos espaços vastos
Serenamente dentre as nuvens raia.
O ocaso da velhice a fronte enturva
E faz entristecer como um outono...
E o sol na doce e fulgente curva
Surge acordando os vegetais do sono.
A Dor lanceia os peitos lutadores
E rasga fundo a carne nas entranhas...
Pelas campinas vão brotando flores,
Brotam flores pelo alto das montanhas.
Brilha o sorriso cândido da infância
Na pequenina boca perfumada...
O espinho, o cardo, as urzes sem fragrância
Brilham também aos cantos de alvorada.
As lágrimas rebentam-nos dos olhos
Em turvos rios de atros sentimentos...
O mar bravio ruge nos escolhos
E estoura sob as convulsões do vento.
As mães, no berço, embalam docemente
Os filhos, com os mais íntimos carinhos...
Nas árvores do campo recendente
Vão as serpentes devorando os ninhos.
Passa na estrada um límpido noivado
Cheiroso a rosa e a flor de laranjeira...
O coveiro, já velho e encarquilhado
Abre uma cova à sombra da nogueira.
Ó profundo contraste incomparável,
Eterna lei, ciclópica ironia...
Como tu és estranha e formidável!
Força impassível! Natureza fria!