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1861–1898

III

João da Cruz e Sousa

Adeus, noiva, vou-me embora, Vou-me com Deus, é preciso. Que colhas em cada aurora Muita messe de sorriso.

Sou soldado, o meu destino É viver bem longe, é certo, Longe do canto divino Da tua voz, sol aberto.

Custa bem esta partida A mim que entanto sou forte. Ninguém sabe o que é a vida Para quem vive da morte.

Da morte, sim, pomba amada; Que as minhas crenças já mortas Tu, com essa alma estrelada Sem tu sequer me confortas.

Perdi pai, perdi carinhos De mãe, de irmãos e de todos. Eu sou como a flor de espinhos Nascida por entre lodos.

Tu vieste, ó noiva, apenas, Como um íris de esperanças, Dar-me alvoradas serenas, Encher-me de confianças.

Só em ti confio, espero Com ardor, com fé veemente, Pomba de luz que eu venero, Doce vésper do oriente.

Adeus, pois chegou a hora, Vou-me com Deus, minha filha; Não chores, que o mar não chora: — Olha, vê que canta e brilha.

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