Skip to content
1861–1898

Idealizações

João da Cruz e Sousa

Os meus desejos perdem-se de manso Nesse teu colo alvíssimo e celeste Que eu de adorar nunca os meus olhos canso. Não sei que paz olímpica me deste,

Que bonançoso e plácido remanso, Que este meu ser é como um prado agreste, Onde nas frescas, múrmuras folhagens, Do sol pagão o ouro resplendente

Cai, qual da luz fulgentes homenagens. Não sei que brilho ou que clarão ardente Deste à minh’alma! e que sutis aragens Emprestaste ao batel onipresente

Destes meus sonhos que ei-lo vai-se agora, Coroando de pâmpanos e rosas, Pelo oceano de cristal da aurora. Vai navegando para as luminosas

Regiões da vida esplêndida e sonora Que tens sob essas pálpebras formosas. Mas uma vez chegando ao porto amado, Porto de luz, sem noites nem escolhos...

Se esse batel achar-se naufragado, Será, meu amor, nos mares dos teus olhos.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
Idealizações · João da Cruz e Sousa · Poetry Cove