Os meus desejos perdem-se de manso
Nesse teu colo alvíssimo e celeste
Que eu de adorar nunca os meus olhos canso.
Não sei que paz olímpica me deste,
Que bonançoso e plácido remanso,
Que este meu ser é como um prado agreste,
Onde nas frescas, múrmuras folhagens,
Do sol pagão o ouro resplendente
Cai, qual da luz fulgentes homenagens.
Não sei que brilho ou que clarão ardente
Deste à minh’alma! e que sutis aragens
Emprestaste ao batel onipresente
Destes meus sonhos que ei-lo vai-se agora,
Coroando de pâmpanos e rosas,
Pelo oceano de cristal da aurora.
Vai navegando para as luminosas
Regiões da vida esplêndida e sonora
Que tens sob essas pálpebras formosas.
Mas uma vez chegando ao porto amado,
Porto de luz, sem noites nem escolhos...
Se esse batel achar-se naufragado,
Será, meu amor, nos mares dos teus olhos.