Astro, diz-me o que é feito
Da tua antiga radiação tão bela
Quando na azul e curvilínea tela
Ias em pompa, em galas, satisfeito?...
O que é da tua fama
Do teu clarão tão fulguroso e aberto,
Do teu clarão tão matinal e esperto,
Astro, responde, o que é da tua chama?...
Onde ficou perdido,
Em que mundo de cânticos deixaste
Aquele resplendor em que radiaste,
Aquela luz e aquele colorido?...
Em que sítio afastado
Ficou-te o lume, todo o esbrazeamento
Que tinhas no teu louro firmamento
De luminosos sonhos estrelados?...
Diz-me tu, ó meu Astro,
Tu que as estrelas, tu que os sóis altivos
Deixavas humilhados e cativos
Adorarem-te, amarem-te de rastro?...
Onde escondeste, aonde
Aquela luz flamante como brasas,
Luz que radiando pareceu ter asas,
Ó Astro, fala, explica-me, responde?