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1861–1898

I

João da Cruz e Sousa

Astro, diz-me o que é feito Da tua antiga radiação tão bela Quando na azul e curvilínea tela Ias em pompa, em galas, satisfeito?...

O que é da tua fama Do teu clarão tão fulguroso e aberto, Do teu clarão tão matinal e esperto, Astro, responde, o que é da tua chama?...

Onde ficou perdido, Em que mundo de cânticos deixaste Aquele resplendor em que radiaste, Aquela luz e aquele colorido?...

Em que sítio afastado Ficou-te o lume, todo o esbrazeamento Que tinhas no teu louro firmamento De luminosos sonhos estrelados?...

Diz-me tu, ó meu Astro, Tu que as estrelas, tu que os sóis altivos Deixavas humilhados e cativos Adorarem-te, amarem-te de rastro?...

Onde escondeste, aonde Aquela luz flamante como brasas, Luz que radiando pareceu ter asas, Ó Astro, fala, explica-me, responde?

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