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1861–1898

Gloriosa

João da Cruz e Sousa

Pomba! dos céus me dizes que vieste, Toda c’roada de astros e de rosas, Mas há regiões mais que essas luminosas. Não, tu não vens da região celeste

Há um outro esplendor em tua veste, Uma outra luz nas tranças primorosas, Outra harmonia em teu olhar — maviosas Cousas em ti que tu nunca tiveste.

Não, tu não vens das célicas planuras, Do Éden que ri e canta nas alturas Como essa voz que dos teus lábios tomba. Vens de mais longe, vens doutras paragens,

Vens doutros céus de místicas celagens, Sim, vens de sóis e das auroras, pomba.

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