Abram-se as urnas de prata Das alegrias sonoras, Lampejantes como auroras Do azul rolando em cascata.
Estalem as gargalhadas Joviais e cristalinas, Na forte explosão das minas, No retinir das espadas.
Batam asas os sorrisos Convulsos, doudos, frementes, Nervosos como serpentes, Tilintantes como guisos.
Vibre forte e vibre ao largo A retumbante fanfarra Da fantástica algazarra Que quebra os tons do letargo.
Afora a noite — e um bom dia De ruidosos prazeres, Alague todos os seres, Em turbilhões de harmonia.
Rompa — ardente como a bala Dos canhões vermelhos, rompa Em ressonância de trompa, Entre jogos de bengala
A legião cintilante Dos vigorosos rapazes, Alegres, vivos, audazes, Num resplendor deslumbrante.
É soltar, a toda a força, Os nervos da hilariedade, Para que esplenda a igualdade, Para que o mal se contorça;
Indo enchendo, indo insuflando De vida os pulmões da verve, Enquanto um bom sangue ferve Na sociedade, radiando.
Que as alegrias floridas, São como um grito de Alerta, Jorrando em noss’alma aberta Deslumbramento de vidas.
Acima pelo ar, acima Os pavilhões multicores, Como dilúvios de flores, Como coriscos de rima.
Embriagai as esferas com harmonias ignotas, De forma que as próprias notas, Lembrem céus de primaveras.
É rir, é rir — entre a pura Alacridade de Momo; É rir, é rir — assim como Quem ri ao sol que fulgura.
Palpite fibra por fibra, Como vagas, como mares, Na curva eterna dos ares O entusiasmo que vibra.
E o Carnaval, irradiando Na florescência das rosas, Salte em pompas luminosas, Vibrando, cantando, rindo!
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