Ontem à tarde, alguns trabalhadores,
Habitantes de além, de serra a serra,
Cavando e revolvendo a dura terra,
Do sol entre os prismáticos fulgores,
Estavam — cada qual tinha os ardores
Da febre de lutar, à luz que encerra
Toda a nobreza do trabalho — e que erra
Só na cabeça dos conspiradores.
E dos obscuros revolucionários
Do bem fecundo e cultural das leivas
Que são da vida os maternais sacrários.
E pareceu-me que do chão estuante
Vem porejar um bálsamo de seivas
Geradoras de um mundo mais pensante.