O teu semblante divino,
Onde uma cisma vagueia,
Tem a tristeza de um sino
Que vibra em remota aldeia.
Para afastar os pesares
A natureza tem flores,
As noites os seus luares,
As almas os seus amores.
A roseira tem a rosa,
A cerejeira cereja
E o noivado a perfumosa,
Celeste benção da igreja.
E para o encanto dos olhos
Há no céu tantas estrelas
Que mesmo através de sobrolhos
É feliz quem pode vê-las.
Só tu não tens para as mágoas
As flores da natureza;
Luares entre essas fráguas,
Amores, nessa tristeza.
Não tens rosas de roseira
Nem benção do noivado,
Nem frutos da cerejeira
Do teu sorriso adorado.
E nem teus olhos ao menos
O encanto d’estrelas doura,
Pomba de voos serenos
Perdida em seara loura.
Não sei que dor, nem que sorte,
Nem que sina te entristece
Que andas branca como a morte
E bem mais vaga que a prece.
Ai! tua sina é ser feia!
Mas não é a pior sina...
Muito pior é a da areia
Levada na aragem fina!