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1861–1898

[Dois zoilus]

João da Cruz e Sousa

Dois zoilos mui completos deste mundo, Dois zoilos há terríveis e zelosos, Que estando sem fazer, mui ociosos Só tratam dum falar nauseabundo.

Eu sei mui bem seus nomes — não confundo Com esses bem sensatos, talentosos, Com esses lidadores mui briosos Que têm estudo imenso e bem profundo!

Mas ah! pra que tempo hei-de gastar Com quem só vive imerso na caligem D’inveja torpe e vil a esbravejar! Isto, meus amigos, é impigem

Que quanto se procura mais coçar Tanto e tanto mais só dá prurigem!

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