Deus esculturou-te no molde das auroras
Ó misto de prodígio, herdeira dos assombros
E soube colocar-te por sobre os débeis ombros
Dos mundos do ideal, as músicas sonoras!
Cravou-te nessa fronte o gênio que fulmina.
Dos astros fez-te os olhos, os risos de alvoradas
E deu-te o vaporoso das grandes matinadas
A maga compleição talmática, divina!
E disse-te: ao tablado!... eleva-te, arrebata
A alma de granito suplanta-a, dilata...
Reergue-te na luz, exalta-te, deslumbra!...
E mostra as mil falanges de bravos, hodiernas
As tuas criações quais mágicas lanternas
Deixando todo o orbe envolto na penumbra.