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1861–1898

Delírio do som

João da Cruz e Sousa

O Boabdil mais doce que um carinho, O teu piano ebúrneo soluçava, E cada nota, amor, que ele vibrava, Era-me n’alma um sol desfeito em vinho.

Me parecia a música do arminho, O perfume do lírio que cantava, A estrela-d’alva que nos céus entoava Uma canção dulcíssima baixinho.

Incomparável, teu piano — e eu cria Ver-te no espaço, em fluidos de harmonia, Bela, serena, vaporosa e nua; Como as visões olímpicas do Reno,

Cantando ao ar um delicioso treno Vago e dolente, com uns tons de lua.

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