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1861–1898

[Deixai que deste álbum]

João da Cruz e Sousa

Deixai que deste álbum na folha delicada Eu venha difundir meus rudes pensamentos Deixai que as pobres rimas, uns nadas poeirentos Eu possa transudar da mente entrenublada!...

Deixai que de minh’alma na fibra espedaçada Eu busque inda vibrar uns cantos tardos, lentos!... Bem cedo os vendavais, aspérrimos, cruentos Ai! Tudo arrojarão à campa amargurada!

Porém qu’importa isso! dos mares desta vida Nos pávidos, estranhos, enormes escarcéus Se alguma coisa val, és tu, ó luz querida!... Rasguemos do porvir os áditos, os véus!...

Riamos sem cessar, embora em dor sentida!... Também as nuvens negras conglobam-se nos céus!!...

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