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1861–1898

Dança do ventre

João da Cruz e Sousa

Torva, febril, torcicolosamente, Numa espiral de elétricos volteios, Na cabeça, nos olhos e nos seios Fluíam-lhe os venenos da serpente.

Ah! que agonia tenebrosa e ardente! Que convulsões, que lúbricos anseios, Quanta volúpia e quantos bamboleios, Que brusco e horrível sensualismo quente.

O ventre, em pinchos, empinava todo Como réptil abjecto sobre o lodo, Espolinhando e retorcido em fúria. Era a dança macabra e multiforme

De um verme estranho, colossal, enorme, Do demônio sangrento da luxúria!

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