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1861–1898

-coração

João da Cruz e Sousa

Sobre o seio vital da terra que fumega Avança o trem de ferro o bojo formidável E na febre voraz e na vertigem cega Arroja-se veloz ao Templo imperscrutável.

Tudo acorda ao estridor dos aços inflamados, Dos rígidos metais ao retumbante berro Com que ele agita e faz solavancar os prados Com seus largos pulmões flamívomos, de ferro.

Ganha relvas e vales, brenhas e montanhas, O bramido de fogo ao espaço arremessando, Um bramido feroz de vibrações estranhas De sinistro animal pré-histórico bufando.

Brame e tremendamente afora vai bramindo, Dentre a noite a correr ou dentre o sol profundo; E os ventres colossais dos túneis investindo Vão perder-se afinal nas amplidões do mundo...

Da vida das paixões na elétrica corrente Iguais ao trem de ferro há corações que correm, Que arrojam-se febris no gozo de repente E perdem-se no mundo e loucamente morrem!

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