Sobre o seio vital da terra que fumega
Avança o trem de ferro o bojo formidável
E na febre voraz e na vertigem cega
Arroja-se veloz ao Templo imperscrutável.
Tudo acorda ao estridor dos aços inflamados,
Dos rígidos metais ao retumbante berro
Com que ele agita e faz solavancar os prados
Com seus largos pulmões flamívomos, de ferro.
Ganha relvas e vales, brenhas e montanhas,
O bramido de fogo ao espaço arremessando,
Um bramido feroz de vibrações estranhas
De sinistro animal pré-histórico bufando.
Brame e tremendamente afora vai bramindo,
Dentre a noite a correr ou dentre o sol profundo;
E os ventres colossais dos túneis investindo
Vão perder-se afinal nas amplidões do mundo...
Da vida das paixões na elétrica corrente
Iguais ao trem de ferro há corações que correm,
Que arrojam-se febris no gozo de repente
E perdem-se no mundo e loucamente morrem!