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1861–1898

Claro e escuro

João da Cruz e Sousa

Dentro — os cristais dos tempos fulgurantes, Músicas, pompas, fartos esplendores, Luzes, radiando em prismas multicores, Jarras formosas, lustres coruscantes,

Púrpuras ricas, galas flamejantes, Cintilações e cânticos e flores; Promiscuamente férvidos odores, Mórbidos, quentes, finos, penetrantes.

Por entre o incenso, em límpida cascata, Dos siderais turíbulos de prata, Das sedas raras das mulheres nobres; Clara explosão fantástica de aurora,

Deslumbramentos, nos altares! — Fora, Uma falange intérmina de pobres.

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