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1861–1898

Clarim!

João da Cruz e Sousa

Como sabres flamejantes A outros quentes do sol, Resplandecei triunfantes, Como sabres flamejantes

E como um facho ou farol! Ó moços! nos peitos bravos Vibre o clarim d’avançar! Nem da Dor sintais os travos,

Ó moços! nos peitos bravos Feitos só para lutar! Desfraldadas as bandeiras Das esperanças vitais,

Ergam-se almas altaneiras, Desfraldadas as bandeiras Das nobres glórias marciais. Que a fronte vos resplandeça

Nos prélios virgens do Bem! Enquanto a esperança cresça Que a fronte vos resplandeça Para além e para além!

Que para além, no futuro, É morte, é gozo, é viver! E vós sois o palinuro Que para além no futuro,

Tendes um mar a vencer, De metralhas em metralhas A profundez da razão Abra as heroicas batalhas

De metralhas em metralhas Com o bronze do coração! As avalanches dos fortes São como os leões do Amor...

E para afrontar as mortes As avalanches dos fortes Riem, cantam sob a Dor! Vibre, pois, eternamente

Em sons d’alerta o clarim Que acorda a falange ardente; Vibre, pois, eternamente Pelos séculos, sem fim!

Através dos sons gloriosos Desse clarim marcial, Da luz nos cristais ruidosos, Através dos sons gloriosos

Rompe a aurora boreal! Com flores em catadupa, Em catadupa de sóis, Do Mazepa na garupa,

Com flores em catadupa Glorificai os heróis! Os hinos de uma vitória São de flores e de luz!

E na conquista da glória Os hinos de uma vitória Têm o esplendor de Jesus! Com ramos, palmas e flores,

Na campanha varonil, Ante o rufar dos tambores, Com ramos, palmas e flores, Combatei pelo Brasil!

Nua a espada, altivo o peito, Desassombrados, correi! E em nome do deus — Direito — Nua a espada, altivo o peito,

Com o sangue heroico, vencei! Que esse ardor de antigos Gracos Enflore os vossos lauréis; Porque não é para os fracos

Que esse ardor de antigos Gracos Vem dos tempos através! Mais alto do que as montanhas Desfraldai às amplidões

O pavilhão, nas campanhas Mais alto do que as montanhas, Sobre os outros pavilhões! Vamos! é tempo! à vanguarda!

Erguida ao espaço a cerviz! E dentre os bransões da farda Vamos! é tempo! à vanguarda! É tempo de ser feliz!

Que se enraíze na almas O valor que os bravos fez E que reverdeça em palmas, Que se enraíze nas almas

Toda a força da altivez! Os fulgentes astros de oiro, Num voo d’águia, arrancai!... E da História no tesoiro

Os fulmegentes astros de oiro, Como frutos, semeai! Os fundos prantos vertidos, Em meio ao vosso troféu,

Pelos mortos e feridos, Os fundos prantos vertidos Tornam-se em astros no céu! São como estrelas de arados,

Da crença no reflorir, Da Pátria os filhos amados São como estrelas de arado Sobre as terras do porvir!

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