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1861–1898

Cega

João da Cruz e Sousa

Parece-me que a luz imaculada Que vem do teu olhar, todo doçuras, Não verte no meu ser aquelas puras Delícias de outra era já passada.

Eu creio que essa pálpebra adorada Não mais um flóreo empíreo de venturas Descobre-me — na noite de amarguras, De dúvidas intérminas cortada.

Não olhas como olhavas, rindo, outrora, Não abres a pupila, como a aurora Nascendo, abre, feliz, radiosa e calma. A sombra, nos teus olhos, funda, existe!...

Tu’alma deve ser bem negra e triste Se os olhos são, decerto, o espelho d’alma.

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