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1861–1898

Castelã

João da Cruz e Sousa

Bela e mais encantadora Do que todas as belezas... Graça leve de pastora Que canta pelas devesas.

Enleios de passarinhos E brilhos de primaveras, Com magnetismos de vinho No olhar azul de quimeras.

Feita de um jorro sadio De auroras purpureadas... Carne mais fresca que um rio De frescas águas prateadas.

Tudo é frio e tudo é raso Para dizer-te, a capricho, Que és magnólia para um vaso, Que és arcanjo para um nicho.

Entre cheirosas espumas Das tuas sedas e rendas Esvoaçam, como entre brumas, Baladas, canções e lendas.

És um mito da Alemanha Vivendo em montanha alpestre, No castelo da montanha, Como ardente flor silvestre.

E tens as pomas à farta; Polpudas, cheias de aromas... És assim a loura Marta Com abundância de pomas.

Esse príncipe que te ama, Cismando, trágico e grave, Quando o luar se derrama Cuida ouvir-te os voos de ave.

Ele vive, airoso e belo, Como se vive num sonho, No seu nevoento castelo Junto de um lago tristonho.

E através do pó flutuante Do luar saudoso e vago Julga que és a garça errante Das águas verdes do lago.

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