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1861–1898

Boca imortal

João da Cruz e Sousa

Abre a boca mordaz num riso convulsivo Ó fera sensual, luxuriosa fera! Que essa boca nervosa, em riso de pantera, Quando ri para mim lembra um capro lascivo.

Teu olhar dá-me febre e dá-me um brusco e vivo Tremor as carnes, que eu, se ele em mim reverbera, Fico aceso no horror da paixão que ele gera, Inflamada, fatal, dum sangue rubro e ativo.

Mas a boca produz tais sensações de morte, O teu riso, afinal, é tão profundo e forte E tem de tanta dor tantas negras raízes; Rigolboche do tom, ó flor pompadouresca!

Que és, para mim, no mundo, a trágica e dantesca Imperatriz da Dor, entre as imperatrizes!

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