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1861–1898

Beijos

João da Cruz e Sousa

Nesta tebaida infinita Da vida, na sombra oculto, Eu gosto de olhar o vulto De uma criança bonita.

Porque afinal as crianças, Como eu deslumbro-me ao vê-las, Cintilam como as estrelas, Florescem como esperanças.

Dentro de mim se projeta A luz cambiante dos prismas E batem asas as cismas Qual passarada irrequieta.

E batem asas e ruflam, Pelas artísticas plagas, As auras que as grandes vagas Dos fundos mares insuflam.

E digo, ó mães, se uma aurora Fosse a minh’alma sincera, Os clarões todos eu dera A uma criança que chora.

Porque se a luz fortalece Arbustos e as andorinhas, Também por certo às criancinhas Conforta, avigora, aquece.

E eu que aplaudo e que rimo Tudo isso que a luz se regre, Na vibração mais alegre As criancinhas estimo.

Portanto, assim, sem refolhos Beijando a Olga, beijando Meus sonhos vão, irradiando, Se derramar em seus olhos!

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