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1861–1898

Asas de ouro

João da Cruz e Sousa

Oh! vinte anos enfim! — Chegas-te ao cume Da glória e mais do amor — desses carinhos Que a alma recebe no frescor dos ninhos Nos roseirais abertos em perfume.

Deus te estrele de sonhos em cardume Essa cabeça doce como arminhos E te gorjeiem muitos passarinhos Dos teus olhos leais no vivo lume.

Bom dia, jovem rei! Noivo aloirado Da primavera que auroresce o prado Noivo da mocidade e da alegria. Uma chuva de trêmulos canários

Flavos, trinantes, vindos de céus vários Vá ao teu quarto gorjear: Bom dia!

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