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1861–1898

Aos pobres

João da Cruz e Sousa

— Minha mãe, minha mãe, quanta grandeza Nesses palácios, quanta majestade; Como essa gente há de viver, como há de Ser grande sempre na feliz riqueza.

Nem uma lágrima sequer — e à mesa Dentre as baixelas, dentre a imensidade Da prata e do ouro — a azul felicidade Dos bons manjares de ótima surpresa.

Nem um instante os olhos rasos d’água, Nem a ligeira oscilação da mágoa, Na vida farta de prazer, sonora. — Como o teu louco pensamento expandes!

Filho, a ventura não é só dos grandes; O mar também é grande e quanto chora!

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