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1861–1898

Aos mortos

João da Cruz e Sousa

Oh! não é bom rir-se de um morto — brusca Pois deve ser a sensação que aumenta Desoladora, vagarosa, lenta Da negra morte tétrica velhusca...

Tudo que em vida, como um sol, corusca, Que nos aquece, que nos acalenta, Tudo que a dor e a lágrima afugenta, O olhar da morte nos apaga e ofusca...

Nunca se deve desprezar os mortos... Nos regelados e sombrios portos, Onde a matéria se transforma e urge Exuberar na planturosa leiva,

Vivem os mortos no vigor da seiva, Porque dão vida ao que da vida surge!...

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