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1861–1898

Amor

João da Cruz e Sousa

Nas largas mutações perpétuas do universo O amor é sempre o vinho enérgico, irritante... Um lago de luar nervoso e palpitante... Um sol dentro de tudo altivamente imerso.

Não há para o amor ridículos preâmbulos, Nem mesmo as convenções as mais superiores; E vamos pela vida assim como os noctâmbulos À fresca exalação salúbrica das flores...

E somos uns completos, célebres artistas Na obra racional do amor — na heroicidade, Com essa intrepidez dos sábios transformistas. Cumprimos uma lei que a seiva nos dirige

E amamos com vigor e com vitalidade, A cor, os tons, a luz que a natureza exige!...

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