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1861–1898

Alma antiga

João da Cruz e Sousa

Põe a tua alma francamente aberta Ao sol que pelos páramos faísca, Que o sol para a tua alma velha e prisca Deve de ser como um clarim de alerta.

Desperta, pois, por entre o sol, desperta Como de um ninho a pomba quente e arisca À luz da aurora que dos altos risca De listrões d’ouro a vastidão deserta.

Vai por abril em flores gorjeando Como pássaro exul as canções leves Que os ventos vão nas árvores deixando. E tira da tua alma, ó doce amiga,

Almas serenas, puras como a neve, Almas mais novas que a tua alma antiga!

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