Skip to content
1861–1898

Afra

João da Cruz e Sousa

Ressurges dos mistérios da luxúria, Afra, tentada pelos verdes pomos, Entre os silfos magnéticos e os gnomos Maravilhosos da paixão purpúrea.

Carne explosiva em pólvoras e fúria De desejos pagãos, por entre assomos Da virgindade casquinantes momos Rindo da carne já votada a incúria.

Votada cedo ao lânguido abandono, Aos mórbidos delíquios como ao sono, Do gozo haurindo os venenosos sucos. Sonho-te a deusa das lascivas pompas,

A proclamar, impávida, por trompas, Amores mais estéreis que os eunucos!

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
Afra · João da Cruz e Sousa · Poetry Cove