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1861–1898

Acrobata da dor

João da Cruz e Sousa

Gargalha, ri, num riso de tormenta, Como um palhaço, que desengonçado, Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta, Agita os guizos, e convulsionado Salta, gavroche, salta clown, varado Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza! Vamos! reteza os músculos, reteza Nessas macabras piruetas d’aço... E embora caias sobre o chão, fremente,

Afogado em teu sangue estuoso e quente Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

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