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1861–1898

A piedade

João da Cruz e Sousa

Ah! Mal de ti, ó Deus das Escrituras, Se do Calvário no sinistro drama Não houvesse sentido aquela chama De amor que se alastrou nas almas puras.

Não! Não te fora o cálix de armaguras Tão doloroso, tão cruel se o trama Urdido por Judá contra quem ama Não existisse de entre as criaturas.

Sim! inda temos um Judá — ainda Quem ama o bem, a luz, a crença linda, Sofre contigo, em prol da humanidade. Ficaste, é certo, inanimado e exangue,

Morreste Deus — mas do teu belo sangue Nasceu a branca flor da piedade.

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