Ah! Mal de ti, ó Deus das Escrituras,
Se do Calvário no sinistro drama
Não houvesse sentido aquela chama
De amor que se alastrou nas almas puras.
Não! Não te fora o cálix de armaguras
Tão doloroso, tão cruel se o trama
Urdido por Judá contra quem ama
Não existisse de entre as criaturas.
Sim! inda temos um Judá — ainda
Quem ama o bem, a luz, a crença linda,
Sofre contigo, em prol da humanidade.
Ficaste, é certo, inanimado e exangue,
Morreste Deus — mas do teu belo sangue
Nasceu a branca flor da piedade.