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1861–1898

A borboleta azul

João da Cruz e Sousa

No alegre sol de então De uma manhã de amor, A borboleta solta no fulgor Da luz, lembrava um leve coração.

Ia e vinha e a voar Gentil e trêfega, azul, Sonoramente a percorrer pelo ar, Como um silfo tenuíssimo e taful.

Sobre os frescos rosais Pousava débil, sutil, Doirando tudo de um risonho abril Feito de beijos e de madrigais.

Que doce embriaguez O voo assim seguir Da borboleta azul, correndo, a vir Do espaço pela Etérea candidez!

Fazendo, tal e qual, O mesmo giro assim, O mesmo voo límpido, sem fim, Nos mundos virgens de qualquer ideal.

Ir como ela também Em busca das loucas E tropicais e fulgidas manhãs Cheias de colibris e sol, além...

Ir com ela na luz De mundos através, Sem abrolhos nas mãos, cardos nos pés, Ó alma, minha, que alegria a flux!...

No alegre sol de então De uma manhã de amor A borboleta solta no fulgor Da luz, lembrava um leve coração.

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