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1881–1937

VISITA NOTURNA

Gustavo de Paula Teixeira

À noite, na alcova escura, Tua imagem me aparece: Minh’alma, que não te esquece, Dentro de um sonho, fulgura!

Vens, nas horas de saudade, Consolar-me, se estou triste, Com a voz mais doce que existe, Toda meiguice e bondade.

Surges com o halo do Empíreo, Envolta no véu de neve Que ondula, sutil e leve, Como o perfume de um lírio...

Alada e loira, sorrindo, Pões a mão sobre o meu ombro: Se eu te olho com mudo assombro O olhar me volves mais lindo!

Como uma flor que se inclina. Sentas-te ás bordas do leito E pousas sobre o meu peito O alvor da fronte divina!

Recobro aos poucos a calma: E o meu olhar longamente Se embebe no teu, que, ardente, Enche de estrelas minh’alma.

Eu tenho a visão radiante De uma noite de noivado! Do teu cabelo ondulado Sobe um perfume ebriante!

Uma frase de carinho Com que me encantas e enlevas, Abre clareiras nas trevas Do círculo em que caminho.

Quando me falas, parece Que um anjo, piedoso e loiro, Embala, num berço d’oiro, Meu coração, que adormece...

Vieste do céu com certeza! Baixaste do azul profundo Para mostrar neste mundo Uma celeste beleza!

Por isso, à luz do teu riso, Fico sorrindo e sonhando Que és um dos anjos do bando Que voa no Paraíso...

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