Nos teus olhos astrais de um brilho de turquesa,
Que às horas do sol posto a nostalgia empana,
Como no Golfo azul, retrata-se a Veneza
Dos tempos medievais, suntuosa e soberana.
O Adriático ondula e a vaga espuma... Ufana,
Passeia oblonga nau latina com nobreza.
Nas praças e canais a vida veneziana
Circula como o sangue em veias de princesa...
Esses olhos sem par encerram maravilhas!
Mirantes, catedrais, castelãs, parques, ilhas
E palácios ducais, — tudo neles se espelha!
Tudo: o mar onde um barco assoma e um outro foge
E os bronzes, e os painéis, e as gôndolas, e o Doge
Envolto na triunfal dalmática vermelha!