O sonho azul que eu vinha acalentando
— Uma preciosa dádiva divina —
Foi um dia a dia as pétalas cerrando
Como um helianto quando o sol declina...
Adeus, ó lírio de um perfume brando
E tez nivosamente alabastrina,
Que, o meu torvo pesar balsamisando,
Me sorrias na estrela vespertina!
Doce ilusão crescida na minh’alma!
Nunca mais tu virás, por noite calma,
Beijar-me o rosto, plácida e radiante!
E hei de chegar ao meu sombrio outono
Sem ter um anjo que no extremo instante
Me feche os olhos para o eterno sono!