Loiro Lírio celeste, que amo tanto,
Vê: não tenho repouso um só momento!
No silêncio da noite arde o meu pranto
Como as estrelas pelo firmamento.
Ouve a aragem noturna o meu lamento
Que reboa através deste recanto...
E não vens abrandar o meu tormento,
Loiro Lírio celeste, que amo tanto!
Para adorar-te a imagem de almo encanto,
Por alta noite, exposto ao frio e ao vento,
Me ajoelho ao pé de um lírio, como um santo...
Vê: não tenho repouso um só momento!
Dou a este amor combate mais violento
Do que os de Salamina e de Lepanto:
Em vão! o amor me vence, e, em fios, lento,
No silêncio da noite arde o meu pranto!
Do etéreo riso que me pôs quebranto
Não cicatriza nunca o ferimento.
As rimas lacrimejam no meu canto
Como as estrelas pelo firmamento!
E não há de findar o sofrimento
Que o olhar me cobre de uma névoa, enquanto
Não me envolveres, como em pálio bento,
Do teu cabelo no macio manto,
Loiro Lírio celeste!