Desde que vieste, foragida
Estátua da Hélade pagã,
Quebrei a lira enternecida
Em que gemia como Ossian.
Minha esperança não foi vã!
A iluminar meu Paraíso,
Esplende a estrela da manhã,
A doce luz do teu sorriso!
Se a tua fronte enlanguescida
Beijo num gesto de galã,
O olhar me volves, comovida,
Do rosto — em púrpura a maçã.
E em tua boca de romã,
Onde alvas pérolas diviso,
Fulge outra gema em brilho irmã:
A doce luz do teu sorriso.
Tu és o sol da minha vida!
O teu amor de castelã
De um antro faz jardinsde Armida
E dá-me a força de um Titã...
Eis-me, afinal, na Canaã
Dos sonhos d’oiro, onde improviso
Loas a Deus e odes a Pã,
À doce luz do teu sorriso!