Mal eu te vi o grego aspeito
E a graça régia, Eros falaz
Cravou sorrindo no meu peito
Todas as setas do carcás.
Perdi a calma e o sono, mas
Bendigo o amor que esta ânsia gera,
Pois ele é o sol que luz me traz
Ao fim da minha primavera.
Por ti, que eu amo com respeito,
Meu coração — pombo torcaz, —
Alvoroçado e satisfeito,
Todo em arrulhos se desfaz.
Esta paixão, funda e roaz,
Embora abrase, é uma cratera
Que deita flores, pertinaz,
Ao fim da minha primavera.
Se da tua alma eu sou o eleito,
Leva-me logo ao céu! Na paz
De um ninho ideal de plumas feito,
Plumas e rendas, sonharás
No seio meu... Ó flor vivaz!
Deus te abençoe os braços de hera
Que hão de prender-me em nó tenaz
Ao fim da minha primavera!