“Para salvar a humanidade impura
Da voragem de tenebras ferais,
Subi a longa Rua da Amargura
Num círculo de monstros infernais,
Vertendo o suor das aflições mortais...
Vai parando em meu peito o coração
Que muita vez sangrou de compaixão
Da própria flor que fenecia na haste!
Ardo de sede! Abrasa-me um vulcão!
Senhor! Senhor! por que me abandonaste?
Não tem mais fim a bárbara tortura!
Abafo a custo dentro da alma os ais
Da angústia que me abala e transfigura!
Meu corpo, cheio de úlceras fatais,
E um jardim de violetas funerais,
Orvalhadas de sangue... E choro em vão
Vendo uma rosa aberta em cada mão...
Depois do triunfo, a morte... Que contraste!...
Que é desses que eu guiei na escuridão?
Senhor! Senhor! por que me abandonaste?
Ó minha Mãe! ó Santa Criatura,
Que neste mundo não verei jamais,
Enxuga o pranto dessa face pura,
Porque a dor dos teus olhos celestiais
Vem fazer que estas chagas doam mais!...
Meu Deus! meu Deus! que atroz flagelação!
A coroa de espinhos, a irrisão
De um sceptro não bastaram! E deixaste
Pregarem-me na cruz da execração...
Senhor! Senhor! por que me abandonaste?”