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1881–1937

POEMA

Gustavo de Paula Teixeira

Outono... As árvores magoadas, Dentro da tarde que esmaece. Murmuram místicas baladas Numa tristeza que enternece:

Sofrem porque ave alguma tece O ninho em suas ramas tortas... E a sua mágoa avulta, cresce, Vendo cair as folhas mortas!

— Noivas de flores coroadas Em hora azul que não se esquece, São hoje monjas desoladas Que a luz lilás já não aquece.

A folha cai, sobe uma prece... (Por que, minh’alma, te transportas, Chorando, ao céu que empalidece, Vendo cair as folhas mortas?)

Asas palpitam em revoadas... Um sino plange, plange... Desce Por estas horas enevoadas Uma saudade que entristece!

E o coração, que a loira messe De ideais perdeu do Éden às portas, Ter dó das árvores parece Vendo cair as folhas mortas...

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