Outono... As árvores magoadas,
Dentro da tarde que esmaece.
Murmuram místicas baladas
Numa tristeza que enternece:
Sofrem porque ave alguma tece
O ninho em suas ramas tortas...
E a sua mágoa avulta, cresce,
Vendo cair as folhas mortas!
— Noivas de flores coroadas
Em hora azul que não se esquece,
São hoje monjas desoladas
Que a luz lilás já não aquece.
A folha cai, sobe uma prece...
(Por que, minh’alma, te transportas,
Chorando, ao céu que empalidece,
Vendo cair as folhas mortas?)
Asas palpitam em revoadas...
Um sino plange, plange... Desce
Por estas horas enevoadas
Uma saudade que entristece!
E o coração, que a loira messe
De ideais perdeu do Éden às portas,
Ter dó das árvores parece
Vendo cair as folhas mortas...