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1881–1937

POEMA

Gustavo de Paula Teixeira

Quando se esgarça o véu das últimas neblinas — Gaze que o inverno tece em misterioso tear, — E o ledo gaturamo entoa cavatinas E os pombos nos beirais arrulham a noivar;

Assim que a estrela d’Alva abre o radiante olhar E entre nuvens assoma a aurora ao varandim, — A cigarra, que é a nota errante de um clarim, Vibrando com alarde as asas harmoniosas,

Chia aqui, chia ali, até que um dia, enfim, Anuncia a triunfal ressurreição das rosas! Narcisos e cecéns, papoulas e boninas, Finda a estação glacial, começam a mesclar

De branco e rosicler o glauco das campinas Que rolam docemente ondas de um verde mar; Flora sorrindo põe o flórido colar; Borboletas azuis com manchas de nanquim,

Ou desmaiados tons de pérola e rubim, Irrompem não sei donde em chusmas pressurosas Quando, de surto em surto, o débil volantim, Anuncia a triunfal ressurreição das rosas!

As torrentes que vão em curvas serpentinas Rumorejando, vale a fora, a recitar As baladas de amor que bocas nacarinas Cantam ao pé da fonte à luz crepuscular;

A nuvem, que se irisa aladamente a voar De purpura tingindo a cauda de cetim; A aragem, que dedilha eólio bandolim Fazendo farfalhar as árvores frondosas,

Tudo, dando expansão a um júbilo sem fim, Anuncia a triunfal ressurreição das rosas!

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