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1881–1937

O SALGUEIRO

Gustavo de Paula Teixeira

Não logrando acalmar o ódio dos insensatos Que uivavam em redor do cândido Cordeiro, Ordenou ao Lictor, então Pôncio Pilatos, Que o mandasse açoitar, despido o corpo inteiro.

E atado a uma coluna o Mestre, entre os maus tratos E as vociferações do bando carniceiro, Sem que batesse um só dos corações ingratos, Fez-se a flagelação com ramos de salgueiro...

Desde então ficou sendo essa árvore a mais triste E a mais digna de dó que neste mundo existe, Curvada como Cristo a arfar com o Lenho às costas. Sempre e sempre a chorar o seu viver mesquinho,

Nunca mais o infeliz pode embalar um ninho Nem contemplar o céu, rezando, de mãos postas!

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