No alpendre, onde palpita a colgadura
Das níveas trepadeiras trescalando,
Dentro de um sonho cheio de doçura,
Ela passa os crepúsculos bordando.
A sua mão, de gemas rorejada,
No azul da tela, rápida, passeia,
Como uma borboleta albirosada
Por sobre o tule de aracnídea teia.
Há dias, ela, carinhosa e grata,
Ofertou-me, corando como as rosas,
Um régio mimo: — um céu de seda e prata
Estrelado de pérolas custosas.
Gentileza de lírio! Como eu amo
Aquela Flor, que, evaporando olores,
Me ofereceu no meio do recamo
O coração bordado a sete cores!