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1881–1937

O ARANHOL

Gustavo de Paula Teixeira

Entre bromélias, junto à quérula torrente Que do plaino em que habito um longo trato banha, Num contínuo labor, uma operosa aranha Fia o rico enxoval de noiva, sutilmente.

O tecido brumal, que nunca se emaranha, É feito de um só fio, um tênue fio albente, Que vai, de volta em volta, ininterruptamente, Tramando o brocatel de contextura estranha...

Quando o sol se levanta enviando olhares d’oiro E a aranha, distendendo a fibra, no tesoiro Da renda leve embala as ilusões radiosas, Na teia, que filtrando orvalho, oscila e pende,

A luz, que se refrange em cada gota, acende Uma aurora boreal de pedras preciosas!

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