Entre bromélias, junto à quérula torrente
Que do plaino em que habito um longo trato banha,
Num contínuo labor, uma operosa aranha
Fia o rico enxoval de noiva, sutilmente.
O tecido brumal, que nunca se emaranha,
É feito de um só fio, um tênue fio albente,
Que vai, de volta em volta, ininterruptamente,
Tramando o brocatel de contextura estranha...
Quando o sol se levanta enviando olhares d’oiro
E a aranha, distendendo a fibra, no tesoiro
Da renda leve embala as ilusões radiosas,
Na teia, que filtrando orvalho, oscila e pende,
A luz, que se refrange em cada gota, acende
Uma aurora boreal de pedras preciosas!