Que frio!... E eu só!... Oh! noite de amargura!
Lá fora plange com angústia o vento
Desgrenhando o arvoredo, que murmura,
De mãos alçadas para o firmamento.
Meu leito é uma gelada sepultura,
O lençol — um sudário... Embalde tento
Dormir: o frio cresce e me tortura!...
A minh’alma tirita... Que tormento!
Ah! se ela, cheia de ternura e zelo,
De amor vencida, viesse neste instante
Envolver-me no manto do cabelo!...
Loucura minha! A um sonho em vão me aferro!
Não mais terei o seu perfume ebriante
Neste noturno cárcere de ferro!