Quando o tempo fugaz, que passa como o vento,
Te engrinaldar de neve e te engelhar o rosto,
Hás de volver o olhar, mais triste que um lamento,
Para o passado envolto em sombras de sol posto.
Como um lento viajor que do ápice nevoento
De alto monte contempla o caminho transposto,
Ficarás a cismar... E nesse atroz momento
Há de pungir-te o seio o acúleo de um desgosto!
Teu velho coração, desiludido e exausto,
Vendo o inútil fulgor das púrpuras do fausto,
Há de então palpitar numa aflição suprema!
E talvez com pesar, num círculo de abrolhos,
Tu te lembres de mim, numa saudade extrema,
Com suspiros na boca e lágrimas nos olhos!