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1881–1937

NO DECLÍNIO

Gustavo de Paula Teixeira

Quando o tempo fugaz, que passa como o vento, Te engrinaldar de neve e te engelhar o rosto, Hás de volver o olhar, mais triste que um lamento, Para o passado envolto em sombras de sol posto.

Como um lento viajor que do ápice nevoento De alto monte contempla o caminho transposto, Ficarás a cismar... E nesse atroz momento Há de pungir-te o seio o acúleo de um desgosto!

Teu velho coração, desiludido e exausto, Vendo o inútil fulgor das púrpuras do fausto, Há de então palpitar numa aflição suprema! E talvez com pesar, num círculo de abrolhos,

Tu te lembres de mim, numa saudade extrema, Com suspiros na boca e lágrimas nos olhos!

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