Vê, meu amor! Da aurora à luz vermelha
Chispam milhões de pérolas no campo.
Aqui, ali, um tardo pirilampo
Apaga a dúbia e pálida centelha.
Os pintassilgos olham-me de esguelha
Quando em teu rosto um longo beijo estampo.
Rebrilha o céu radiosamente escampo
Que o azúleo espelho côncavo semelha.
Desponta o sol. Uma avalanche d’oiro
Flameja. Zumbe aligero besoiro
E ondula a relva que premindo vamos.
Corre estranho rumor de rosa em rosa:
Pois quando passa uma mulher formosa
As próprias flores curvam-se nos ramos!