Tarde. Fugia ao longe uma galera...
O glauco mar, aos nossos pés, na praia,
Desfolhava a flutuante primavera
De flóculos de espuma de cambraia.
Entre sorrisos de um celeste encanto,
Numa voz que era um choro de sereia,
Tu me juravas terno amor enquanto
Eu escrevia cânticos na areia.
Glorificava essa beleza eslava
Em rimas que floriam como rosas,
E que o mar, como pérolas, guardava
No seio azul das conchas marulhosas...
Logo, porém, tudo esqueceste... E agora,
Quando à beira do Atlântico divagas,
Hás de, escutando a voz do mar, que chora,
Teu nome ouvir na música das vagas.
São os meus versos que através das ondas
Pelas conchas ecoam de angra em angra,
Como suspiros desse mar que sondas,
Como o clamor de um coração que sangra!
Atende! São meus cânticos dispersos
Que em ecos plangem pela tarde calma!
O mar guardou nas conchas os meus versos
Como eu guardo teu nome dentro da alma!