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1881–1937

MEIA NOITE

Gustavo de Paula Teixeira

Penso... Na solidão da rua adormecida Vasqueja dos lampiões o funerário lume. De espaço a espaço, a lua assoma entre o negrume Das nuvens — com a feição da branca Margarida.

No rendilhado templo, onde, em manhã florida, Me embriagou de Frínia o tépido perfume, Pia uma estrige. O vento é um fúnebre queixume. Há um brusco ramalhar de frondes na avenida.

Nest’hora de pavor e dúvidas sombrias, De pactos infernais, de assombros e magias, Eu faço ao mudo céu sacrílegas perguntas! Exacerba-me o sangue a dor que não se acalma,

E sinto desfilar pelo silêncio da alma O cortejo feral das ilusões defuntas!

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