Penso... Na solidão da rua adormecida
Vasqueja dos lampiões o funerário lume.
De espaço a espaço, a lua assoma entre o negrume
Das nuvens — com a feição da branca Margarida.
No rendilhado templo, onde, em manhã florida,
Me embriagou de Frínia o tépido perfume,
Pia uma estrige. O vento é um fúnebre queixume.
Há um brusco ramalhar de frondes na avenida.
Nest’hora de pavor e dúvidas sombrias,
De pactos infernais, de assombros e magias,
Eu faço ao mudo céu sacrílegas perguntas!
Exacerba-me o sangue a dor que não se acalma,
E sinto desfilar pelo silêncio da alma
O cortejo feral das ilusões defuntas!